terça-feira, 29 de março de 2011

E como não podia também faltar aqui nesta casa virtual tão portuguesa, ao lado da cerveja e do tremoço:o Menino da Lágrima!






O Menino da Lágrima não é só um. Há pelo menos 56 versões, mas os "originais", os "genuínos", são apenas 27. A histeria que se desenvolveu em torno deste fenómeno de vendas dos anos 80 é que está a assumir proporções preocupantes, pelo menos no que toca à saúde mental dos seus possuidores ou ex-possuidores. Comecemos pelo princípio.

Um pintor, que umas vezes é brasileiro, outras italiano, outras espanhol, e que umas vezes se chama J. Bragolin, outras simplesmente Bragolin, outras Giovanni Bragolin, parece que afinal se chamava era Franchot Seville quando era espanhol - não-obstante o nome ter mais de francês que de castelhano. Estamos em Madrid, corre o ano de 1969 e, na rua onde o nosso Seville/Bragolin tem o seu ateliê, anda um miúdo sem família, cujos pais morreram num incêndio, completamente ao abandono e maltratado por tudo e por todos. O pequeno chama-se Don Bonillo, Bragolin apieda-se e, também contra tudo e contra todos, acolhe-o no seu ateliê e cuida dele. É um pintor com êxito, os seus quadros vendem bem, Seville é um homem próspero e feliz e dedica-se ao miúdo.
O padre da paróquia, contudo, aconselha-o a não albergar aquela criança, que só causa desastres, regra geral incêndios, a ponto de as pessoas lhe chamarem El Diablo. Avisa-o de que corre um perigo muito, muito sério.

Um dia, o ateliê de Bragolin arde de alto a baixo, sem se perceber como. Toda a gente aponta o dedo ao miúdo, claro. Completamente enlouquecido, o pintor deixa -se ir naquela histeria colectiva e faz o mesmo. Desesperado, o rapazito foge e nunca mais ninguém o vê. Entretanto, as pessoas tinham ouvido dizer que o pintor também estava amaldiçoado, que os seus quadros davam azar, deixam de comprar e Bragolin fica na ruína.

Anos mais tarde, nos arredores de Barcelona, dá-se um enorme desastre. Um carro espatifa-se contra um muro, incendeia-se e o condutor fica completamente carboniza do e irreconhecível. Resta apenas um pedaço da carta de condução, onde se conse gue ler que o condutor tinha 19 anos e se chamava ... Don Bonillo, pois então!

Mais preocupante é a outra versão da história, que diz-se, o próprio Bragolin terá revelado num programa chamado Fantástico, na Rede Globo brasileira. Não conseguia vender um único quadro, pelo que terá feito um pacto com o Demónio. Deve ser mentira, mas o facto é que os bonecos venderam como pão quente e o homem terá conseguido reconstruir a sua fortuna.

Vem depois a lenda urbana. Possuidores de quadros, ocultistas e até satanistas andam por aí a dizer que os quadros lhes deram azar e que foram todos pintados a partir de crianças mortas em rituais, sacrificadas ao Diabo, para que ele fizesse enriquecer o Fausto/Bragolin. Análises dos fundos e das roupas, das posições relativas das crianças, do simples facto de parecerem estar sempre a olhar para nós, sejam quais forem os ângulos dos quais olhemos para elas - a Gioconda também deve ser diabólica! -, tudo serve para acusar os quadros de, através de imagens e mensagens subliminares, andarem a dar azar, quando não a matar, aqueles que os possuem.

Em nome da sua vida e dos seus, não compre o Menino da Lágrima. Mais que não seja ... pela falta de gosto!

Fonte: http://pinvicto.blogspot.com/2006/08/o-menino-da-lgrima.html


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